segunda-feira, 5 de julho de 2010

Bruxelas trajou a rigor para celebrar uma longínqua chegada de Carlos V à capital belga. Cerca de 1500 figurantes participaram nesta celebração identitária: cavaleiros, nobres, besteiros, membros do clero, principes e princesas. A Presidência belga da U.E. também já recebeu o toque de partida, enquanto a Espanha volta a ter 1,57 de altura. Numa festa exuberante, ao melhor estilo de Hollywood, a bélgica quis mostrar à Europa que, mesmo sem governo (uma verdadeira manta de retalhos), está de boa saúde. O funcionário da empresa de transitários que me trouxe os "tarecos" de Lisboa ofendeu-se quando eu lhe perguntei se era belga. Disse-me, com o orgulho de quem pertence a uma casta de eleitos, "Sou flamenco". 

terça-feira, 22 de junho de 2010

Atum, desenvolvimento e a Pátria em chuteiras

O sono é inevitável ao assistir a discussões intermináveis sobre os subsídios compensatórios de bruxelas para que as frotas europeias (leia-se espanha) pesquem nas ilhas Salomão. Num raciocínio enviuzado a conversa desemboca nos preços do atum na Europa. Nem o café ajuda. Os representantes portugueses fazem uma passagem rapida pela sala. Discute-se se a ligação entre pesca e o desenvolvimento e diaboliza-se o sector. A Noruega prega o seu modelo.No meio disto tudo, lembro-me que a minha bagagem chegará sexta-feira. Espero que intacta. Sou felicitado pelos 7 golos lusitanos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Nada temo: já estou devidamente equipado com o boião esterlizado para colheitas assépticas, 120 ml.

sábado, 3 de abril de 2010

Já é tempo

o papel impresso,
rogando com vénia
desliza ainda entre tampos de mesa
de gente sem rosto
remelosamente instalada
com clips psicóticamente alinhados
lápis frenéticamente afiados

não, não vou para Paris
vou apenas mudar de esquina
e pensar em ser feliz
por agora, o simples risco de um fósforo
sem pedido nem licença

quarta-feira, 24 de março de 2010

criptografia


Símbolos, sinais, mensagens criptografadas num alcatrão sem estória. centenas de pessoas passam ali diáriamente. para trás ficam os depojos do dia.

sexta-feira, 19 de março de 2010


Nada mais desesperante do que regressar a casa com a ameaça de um fim-de-semana diluviano.

quinta-feira, 18 de março de 2010

La calle


Cidade do México. Não existe qualquer "vergonha" ou pudor na expressão de sentimentos de afecto em público. O contraste entre o conservadorismo e a liberdade de costumes é enorme.

Texturas

Texturas

Free as bird

terça-feira, 16 de março de 2010

Maresia

Notas de toreio III

Notas de toreio II

Notas de toreio

Vizinhos


Desde que me emancipei sempre vivi em casas alugadas. Não por opção, mas por achar que a vida tinha muita coisa para descobrir e nunca acreditei (e ainda bem) no "american dream" lusitano da casa própria.  Desde então fui acumulando episódios burlescos nas minhas relações com alguns vizinhos excêntricos e, não raras vezes, psicopatas.
Esta carta, que vale a pena ler na integra, foi deixada sorrateiramente debaixo da minha porta quando vivi num T1 modesto, de renda simpática, na elegante Rua de São Caetano à Lapa. O prédio, com um toque algo decadente, tinha apenas 3 andares. Eu vivia no 1º andar, por debaixo de um casal de idosos de trato afável que penduravam roupa a secar nas escadas como nos filmes italianos. No r/c vivia o autor desta prosa magnífica.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Chet Baker - Let's get lost


Documentário de Bruce Weber a não perder, sobretudo para quem gosta do trompetista "Cool" da costa da Califórnia, Chet Baker. A vida de Chet, considerado por muitos como o James Dean do Jazz,  assemelhou-se a um excerto de uma das suas canções: "You don't know what love is until you know the meaning of the blues". Uma corrida permanente, num mundo cheio de droga, mulheres, melancolia, e miséria.
Chet morreu a 13 de Maio de 1988 em Amesterdão e não chegou a ir `a estreia deste filme no Festival de Veneza.

quinta-feira, 11 de março de 2010

TAP

Apesar de todas as dificuldades que o país atravessa, Portugal deve continuar a ter uma companhia de bandeira. É um activo estratégico.Lamentávelmente, a TAP continua a ter a pior Groundforce do Mundo. Sempre que posso levo a mala na cabine e disputo no fio navalha um lugar para a depositar nos compartimentos de bordo.Quando isso não é possível trago comigo um livro de bolso ou um jornal, para me distrair enquanto espero. Pelas minhas contas, já me partiram 3 malas. Imagino que deve existir uma legião de rambos lusitanos que se divertem com jogos de guerra no backstage. A última novidade é maquineta de saquinhos para guardar líquidos. 1 euro/sacos. Um verdadeiro assalto. Já não para falar da greve que se avizinha, seguindo as pisadas de outras companhias aéreas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cahora Bassa

Alguém me poderá explicar o que é que o PM foi fazer a Cahora Bassa? Marketing para venda da share de 15% detida por Portugal? Interessante ouvir em directo o homem de ferro da EDP a dizer não obrigado. Como é que os Moçambicanos, fora do ambiente protocolar vêm isto?

quarta-feira, 3 de março de 2010

As contradições de Lula

Já muita tinta correu sobre o fenómeno Luís Inácio Lula da Silva. Se quisermos, Lula foi um Obama branco "avant la lettre", capaz de mobilizar uma onda de esperança junto dos mais desfavorecidos, ou um Walesa latino-americano sem Cristo na lapela. A sua recente visita a Cuba (para citar apenas este exemplo) deixa bem patentes as contradições do seu mandato ou, para sermos mais simpáticos, da política do Itamary. Refiro-me concretamente à morte do dissidente Cubano Orlando Zapata. Numa viagem relâmpago a Havana, Lula firmou uma série de acordos comerciais e e ficou de boca fechada quanto aos  direitos humanos e à morte de Zapata, ignorando por completo os pedidos formulados pelos chamados "dissidentes".Teria neste momento, assim quisessem os homens da realpolitik, uma oportunidade para demonstrar e afirmar a a capacidade regional do Brasil. O "Estado de São Paulo" escreveu letras garrafais, a propósito desta visita,  "Lula faz negócios sobre cadáveres!". Continua Lula da Silva a ser um icone da esquerda? Talvez José Saramago, amigo intimo dos irmãos Castro, nos pudesse ilucidar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cavalheiro, onde é que devo pôr as suas armas?

- "Então, quer mandar fazer oitenta cartões neste papel gramado e encomendar a mesma quantidade de envelopes da Canson? Muito bem cavalheiro, e onde é que devo mandar gravar as armas?

- Armas?

- Sim as armas da sua família?

- Meu caro Senhor, o meu Avô,que era um bom burguês, deixou em testamento um par de pistolas que estão na posse do meu Pai."

(Conversas numa gráfica em Campo de Ourique)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

À "lareira com Castela"


Por razões pessoais, tenho-me vindo a sentar  com regularidade "à lareira com Castela", para citar uma frase de António Sardinha. Tem sido uma excelente experiência, tanto mais que sou um amante da barra espanhola. Creio que até hoje ainda não foi inventado melhor spa para sessões psicoterapeuticas. À minha custa, tenho aprendido que o desenrascanso lusitano em matéria linguística pode causar alguns incidentes e amargos de boca.  Deixo aqui uma pequena lista de temas a "evitar" (ou talvez não) em conversas amistosas com "nuestros hermanos", em Madrid. A receita só funciona se for um simpático compulsivo.

- religião;
- terrorismo;
- desemprego;
- outros clubes que não o Real de Madrid;
- Espanha no mundo actual;
-Curro Romero (toreiro);
-  aprendizagem de línguas e a incompreensão do português por parte dos Espanhóis;
- dobragem de filmes;
- Guerra Civil, Franco e República;
-  Família Real;
- os melhores vinhos e queijos;
- regiões autonómicas;

Se a noite for longa, e estiver com "ganas" de provocar, peça ao seu amigo (a) que tente pronunciar as seguintes frases em português: Celorico da Beira, válvula, Carrazede de Ansiães, e "o rato roeu a rolha da garrafa do rei da rússia" (adoram os rrrrrs)

Ao Mário Crespo


Caro Mário,
Confesso que nunca morri de amores pelo seu trabalho. Demorei imenso tempo a fazer a catarse da sua reportagem sobre a detenção de Pedro Caldeira. Embora já me tenha recomposto desse episódio longínquo, continuo a contorcer-me no sofá sempre que o vejo a usar e abusar de cortesia para com alguns dos seus convidados. Sobretudo para com aqueles que têm estatuto de senadores da pátria. Nesses momentos de êxtase, constanto que o MC se transcende - quiçá de forma involuntária - e surge no pequeno ecrã um notável criador de metáforas e que retira da gramática adjectivos adormecidos no tempo. Mas caro amigo, sei que você poderia ser, se assim quisesse, o Tim Sebastien lusitano(BBC World News, Hard Talk). A verdade é esta :  na maior parte das vezes o Mário veste a pele de um cordeirinho manso, mais branco do que a própria neve, mas quando quer..... aperta e aperta a sério!
Directo ao assunto. Adorei a forma como reagiu a esta censura dos tempos modernos. Confesso-lhe que não fazia a minima ideia que escrevia no JN, que aliás nunca compro.
Seria bom que muitos jornalistas seguissem o seu exemplo. Não pelo que se anda a dizer em restaurantes alfacinhas (normalmente concentro-me noutras coisas mais interessantes), mas por o quererem amordaçar. O meu amigo já não tem idade nem estatuto para esse tipo de canalhices. Aparentemente a Manuela foi a primeira.... 
Parafraseando Manuel Alegre: "A mim ninguém me cala!".
Um abraço, FN