- "Então, quer mandar fazer oitenta cartões neste papel gramado e encomendar a mesma quantidade de envelopes da Canson? Muito bem cavalheiro, e onde é que devo mandar gravar as armas?
- Armas?
- Sim as armas da sua família?
- Meu caro Senhor, o meu Avô,que era um bom burguês, deixou em testamento um par de pistolas que estão na posse do meu Pai."
(Conversas numa gráfica em Campo de Ourique)
Experiências fotográficas, algum schizzo e outras coisas num formato quase sério. Por favor, Madame, tire as patas, Por favor, as patas do seu cão De cima da mesa, que a gerência Agradece (Alexandre O'Neill)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
À "lareira com Castela"
Por razões pessoais, tenho-me vindo a sentar com regularidade "à lareira com Castela", para citar uma frase de António Sardinha. Tem sido uma excelente experiência, tanto mais que sou um amante da barra espanhola. Creio que até hoje ainda não foi inventado melhor spa para sessões psicoterapeuticas. À minha custa, tenho aprendido que o desenrascanso lusitano em matéria linguística pode causar alguns incidentes e amargos de boca. Deixo aqui uma pequena lista de temas a "evitar" (ou talvez não) em conversas amistosas com "nuestros hermanos", em Madrid. A receita só funciona se for um simpático compulsivo.
- religião;
- terrorismo;
- desemprego;
- outros clubes que não o Real de Madrid;
- Espanha no mundo actual;
-Curro Romero (toreiro);
- aprendizagem de línguas e a incompreensão do português por parte dos Espanhóis;
- dobragem de filmes;
- Guerra Civil, Franco e República;
- Família Real;
- os melhores vinhos e queijos;
- regiões autonómicas;
Se a noite for longa, e estiver com "ganas" de provocar, peça ao seu amigo (a) que tente pronunciar as seguintes frases em português: Celorico da Beira, válvula, Carrazede de Ansiães, e "o rato roeu a rolha da garrafa do rei da rússia" (adoram os rrrrrs)
Ao Mário Crespo
Caro Mário,
Confesso que nunca morri de amores pelo seu trabalho. Demorei imenso tempo a fazer a catarse da sua reportagem sobre a detenção de Pedro Caldeira. Embora já me tenha recomposto desse episódio longínquo, continuo a contorcer-me no sofá sempre que o vejo a usar e abusar de cortesia para com alguns dos seus convidados. Sobretudo para com aqueles que têm estatuto de senadores da pátria. Nesses momentos de êxtase, constanto que o MC se transcende - quiçá de forma involuntária - e surge no pequeno ecrã um notável criador de metáforas e que retira da gramática adjectivos adormecidos no tempo. Mas caro amigo, sei que você poderia ser, se assim quisesse, o Tim Sebastien lusitano(BBC World News, Hard Talk). A verdade é esta : na maior parte das vezes o Mário veste a pele de um cordeirinho manso, mais branco do que a própria neve, mas quando quer..... aperta e aperta a sério!
Directo ao assunto. Adorei a forma como reagiu a esta censura dos tempos modernos. Confesso-lhe que não fazia a minima ideia que escrevia no JN, que aliás nunca compro.
Seria bom que muitos jornalistas seguissem o seu exemplo. Não pelo que se anda a dizer em restaurantes alfacinhas (normalmente concentro-me noutras coisas mais interessantes), mas por o quererem amordaçar. O meu amigo já não tem idade nem estatuto para esse tipo de canalhices. Aparentemente a Manuela foi a primeira....
Parafraseando Manuel Alegre: "A mim ninguém me cala!".
Um abraço, FN
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Hoje acordei com 1,98
"- Olá! Bem vinda à nossa aula de hidro-ginástica. O melhor é sair dessa parte mais funda. Venha para aqui. Luísa, quanto é que você mede?
- Tenho 1,55, mas por vezes acordo com 1,98"
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Segredos de alfarrabistas
Boa tarde D. Mariana, queria levar este livro Sff. 5 Euros não é verdade?
- Ora, "Segredos de El Rey D. João I".... Bom, se é "segredos" deve ser mais caro!!!
(Conversas em alfarrabistas)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A um passo da morte
Há uma semana atrás, o EL PAIS publicou com uma longa entrevista intitulada "A un paso de la muerte". Uma crónica extraordinária de Álvaro de Guinea que retrata a vida de 21 sobreviventes dos corredores da morte nos EUA que se reunem com regularidade em Alabama. Têm uma coisa em comum: eram e são todos inocentes. Impressionou-me a história de Derrick Jamison que esteve preso durante 20 anos, 17 dos quais no corredor da morte. DJ é citado em discurso directo "Estive a uma hora de ser executado, apenas a uma hora de estar morto, uma hora para ser assassinado. Entendes o que estou a dizer? Estive apenas a uma hora de ser morto!".
Ninguém lhes poderá devolver os anos perdidos. Infelizmente, os inocentes executados continuam sem poder assistir a estas reuniões. Só o grupo dos "21" percebe o sentido da viagem ao inferno, mais ninguém. Este caminho de entendimento está-nos vedado, quer estejamos a pensar nos milhares de homens e mulheres executados nos EUA, na China, na Ásia ou em Africa. É a vergonha dos tempos modernos, para culpados ou inocentes. Em qualquer dos casos, quando o homem se torna num semi-deus não existe a possibilidade de ressureição. Alguns destes mortos-vivos devem rever nos seus piores pesadelos os passos dos carrascos da morte. Outros, revisitam nas noites de insónia o dia em que assinaram a ordem de execução.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Altolaguirre
Manuel Altolaguirre foi uma figura emblemática da geração de 27, em Espanha. Uma fada ibérica, com coração d'oiro, que conhece a minha paixão por memórias e livros de correspondência, ofereceu-me recentemente "Manuel Altoalaguirre, espistolário 1925-1959, epistolário" , Publicaciones de la Residencia de Estudiantes. É uma daquelas relíquias que apetece guardar num estojo de veludo.
Uma das obras mais representativas da produção de MA foi "Litoral", que ficou conhecido essencialmente como um assíduo colaborador de revistas de poesia. Não sendo um profundo conhecedor da sua obra, creio que a vida que levou foi o seu grande feito poético e é isso que me delicia nesta obra de correspondência. Com a Guerra Civil partiu para o exílio, tendo passado por París, Cuba e México, onde fez incusões muito interessantes pelo mundo cinéfilo. Como guionista, ganhou em 1952 o Premio do melhor argumento no Festival de Cannes e a "Águila de plata" no México, com o filme "Subida al cielo", dirigida pelo seu amigo Luis Buñuel. En 1959 regressou a Espanha para apresentar um filme em San Sebastián. Morreu em Burgos, num a acidente de automóvel. Teve uma vida cheia, a 8 mm. Aqui deixo um dos seus poema mais célebres.
Playa
Las barcas de dos en dos,
como sandalias de viento
puestas a secar al sol.
Yo y mi sombra, ángulo recto.
Yo y mi sombra, libro abierto.
Sobre la arena tendido
como despojo del mar
se encuentra un niño dormido.
Y la estela de su marcha
abierta al igual que un libro.
Y yo, leyendo en los muros
del ángulo de su huida
los imposibles estímulos.
(Las islas inventadas)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A Senhora Lautsie e o Cristo que lhe rendeu uns milhares de euros
Por estas bandas, entretidos com tanta coisa importante, quase ninguém prestou atenção à setença que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem emitiu contra a exposição de crucifixos em escolas públicas italianas, num caso que ficou conhecido como "Lautsie contra Itália".
O assunto pode ser resumido em poucas palavras. O TEDH determinou que o Governo italiano deveria pagar uma indeminização de 5 mil euros por danos morais infligidos à Senhora Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa. Lautsi apresentou um recurso no TEDH após o instituto público "Vittorino da Feltre", na província italiana de Pádua, frequentado pelos seus filhos, se ter negado, em 2002, a retirar os crucifixos das salas de aulas frequentadas pelos seus filhos. No essencial, o TEDH entendeu que a presença de um crucifixo constituia "uma violação [dos direitos] dos pais em educar aos filhos segundo as próprias convicções" e uma "violação à liberdade de religião dos alunos".
Como é sabido, a Itália é um dos países com maior número de católicos, sendo que mais de 96% dos cristãos do país, que chega a 80% da população, se definem como católicos apostólicos romanos. A ministra italiana da Educação, Mariastella Gelmini, defendeu a representação católica nas instituições de ensino, afirmando que a presença dos objectos religiosos "não significa adesão ao catolicismo, mas é um símbolo da nossa tradição".
O TEDH é, indiscutivelmente, o principal pilar do Conselho da Europa e um garante do respeito pelos direitos, liberdades e garantias. Na sequência da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, a U.E. passará a fazer parte da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, alargando-se as competências e protecção garantida pelo Tribunal. Trata-se, naturalmente, de uma enorme conquista para os europeus.
Resta ainda conhecer os termos e o desfecho do anunciado pedido de recurso por parte de Itália. Mas uma coisa é certa, este caso irá contribuir para a criação de maiores clivagens na Europa, numa altura em que se fala e apregoa a Aliança de Civilizações, que tem como Alto Representante o Dr. Jorge Sampaio.
Ao que tudo indica, o modelo de laicismo francês conquistou o Tribunal de Estrasburgo. E as inquietações suscitadas por este processo, partilhadas por muitos amigos laicos, ultrapassa em muito a animosidade que me move contra o actual Governo italiano.
Dentro de pouco tempo será proibido que um muçulmano, judeu ou cristão ande a passear pelo Chiado com algum simbolo que identifique o seu credo religioso, de forma a que não ofenda os seus concidadãos.
Resta-me desejar rápidas melhoras à Senhora Lautsie e que recupere rapidamente do trauma causado pelo Nazareno.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Os festejos da República e as inquietações identitárias
O Embaixador de Portugal em Paris, Francisco Seixas da Costa, é autor do blogue "duas ou três coisas", que acompanho com redobrado interesse (http://duas-ou-tres.blogspot.com/). É um homem superiormente inteligente e que tem, como é sabido, um curriculum profissional extraordinário. Escreve num português lindíssimo, e é detentor de uma ironia fina e delicada. Fruto da experiência e vivências acumuladas FSC veste, creio que de forma involuntária, a capa de Senador. Não lhe fica mal.
Há dias escreveu um "post" sobre a diferença de perspectiva em torno do conceito de República existente em França e em Portugal, discorre sobre a diabolização da I República pelo Estado Novo, não deixando de reconhecer o que à luz da historiografia ("democrática") parece ser uma evidência: "os erros que os republicanos cometeram".
Quando se aproximam as comemorações do centenário da República FSC traça um caminho claro, pleno de contornos de ética e de cidadania:
"revisitar e sublinhar todas virtualidades da República, constitui uma tarefa exigente que, durante este ano do seu primeiro centenário, todos os republicanos portugueses serão chamados a fazer, com vigor e sem concessões, denunciando, com frontalidade, os revisionismos da História.
Parece-me uma evidência para mim que a I República falhou com tentativa de regeneração democratizantes do liberalismo monárquico e que a "ditadura" do Partido Democrático foi incapaz de democratizar o sistema político português. A este facto junta-se ainda a inexistência de um «projecto nacional» ou mesmo uma ideia de Estado republicano, mobilizador e viável(F. Rosas). De 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926 a República conheceu 45 governos e 29 intentonas.
Não creio que Historiadores como Fernando Rosas, Pulido Valente, Severiano de Teixeira, Rui Ramos, Catroga e tantos outros, sejam perigosos agentes do revisionismo e branquedores do legado histórico da I República. Creio que o pior serviço que se poderá prestar a estas Comemorações será erigir novas galerias de heróis, alicerçando a auto-estima e identidade nacional no mito e na descoberta da pedra filosofal. Será preciso, isso sim, aumentar o financiamento das verbas adjudicadas à investigação da História contemporânea. Gostaria que as comemorações da República decorressem com elevação e, se possível, fossem mais estimulantes do que as velhas picardias entre Carlos Ferrão e alguns filhos do Integralismo Lusitano como Mário Saraiva. Quanto aos republicanos mais ferverosos, gostaria que não situassem as suas convicções num patamar de credo confessional. Será pedir muito?
Diz-se que alguém terá perguntado ao PM Chinês Zhou En-Lai o que é que ele achava sobre o significado da Revolução Francesa terá rspondido : "Será preciso aguardar no minimo 200 anos". No nosso caso, creio que 100 anos já são suficientes.
Há dias escreveu um "post" sobre a diferença de perspectiva em torno do conceito de República existente em França e em Portugal, discorre sobre a diabolização da I República pelo Estado Novo, não deixando de reconhecer o que à luz da historiografia ("democrática") parece ser uma evidência: "os erros que os republicanos cometeram".
Quando se aproximam as comemorações do centenário da República FSC traça um caminho claro, pleno de contornos de ética e de cidadania:
"revisitar e sublinhar todas virtualidades da República, constitui uma tarefa exigente que, durante este ano do seu primeiro centenário, todos os republicanos portugueses serão chamados a fazer, com vigor e sem concessões, denunciando, com frontalidade, os revisionismos da História.
Parece-me uma evidência para mim que a I República falhou com tentativa de regeneração democratizantes do liberalismo monárquico e que a "ditadura" do Partido Democrático foi incapaz de democratizar o sistema político português. A este facto junta-se ainda a inexistência de um «projecto nacional» ou mesmo uma ideia de Estado republicano, mobilizador e viável(F. Rosas). De 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926 a República conheceu 45 governos e 29 intentonas.
Não creio que Historiadores como Fernando Rosas, Pulido Valente, Severiano de Teixeira, Rui Ramos, Catroga e tantos outros, sejam perigosos agentes do revisionismo e branquedores do legado histórico da I República. Creio que o pior serviço que se poderá prestar a estas Comemorações será erigir novas galerias de heróis, alicerçando a auto-estima e identidade nacional no mito e na descoberta da pedra filosofal. Será preciso, isso sim, aumentar o financiamento das verbas adjudicadas à investigação da História contemporânea. Gostaria que as comemorações da República decorressem com elevação e, se possível, fossem mais estimulantes do que as velhas picardias entre Carlos Ferrão e alguns filhos do Integralismo Lusitano como Mário Saraiva. Quanto aos republicanos mais ferverosos, gostaria que não situassem as suas convicções num patamar de credo confessional. Será pedir muito?
Diz-se que alguém terá perguntado ao PM Chinês Zhou En-Lai o que é que ele achava sobre o significado da Revolução Francesa terá rspondido : "Será preciso aguardar no minimo 200 anos". No nosso caso, creio que 100 anos já são suficientes.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Tempo de dar e receber
Ontem um "irmão de beliche" ofereceu-me a sua Nikon D80.
- "Para dares largas à tua imaginação. Comprei a D90", disse.
- "Manucho, para mim é como se me oferecesses uma Leica e ainda por cima o bicho já vem ensinado. De certeza que não a queres dar à Joana?"
Ficamos sempre desarmados e comovidos com um presente fora de época. Há bastante tempo que me venho a treinar na arte de receber. Recordo-me que há uns aninhos atrás ofereci um isqueiro a um pastor alentejano no Cano, ali para os lados de Sousel, e este, meio atrapalhado e com a inocência de quem se habituou a falar com lebres e ovelhas, estendeu-me um cajado que ainda guardei durante uns meses.
Hoje confiei a minha Nikon D40X ao meu cunhado. Parecia um miudo pequeno com o brinquedo novo nas mãos. A quem é que irá passar a Fuji?
- "Para dares largas à tua imaginação. Comprei a D90", disse.
- "Manucho, para mim é como se me oferecesses uma Leica e ainda por cima o bicho já vem ensinado. De certeza que não a queres dar à Joana?"
Ficamos sempre desarmados e comovidos com um presente fora de época. Há bastante tempo que me venho a treinar na arte de receber. Recordo-me que há uns aninhos atrás ofereci um isqueiro a um pastor alentejano no Cano, ali para os lados de Sousel, e este, meio atrapalhado e com a inocência de quem se habituou a falar com lebres e ovelhas, estendeu-me um cajado que ainda guardei durante uns meses.
Hoje confiei a minha Nikon D40X ao meu cunhado. Parecia um miudo pequeno com o brinquedo novo nas mãos. A quem é que irá passar a Fuji?
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Café Gijon
O Café Gijón continua a ser um dos locais mais emblemáticos de Madrid. Segundo reza a história abriu portas em 1888, mantendo-se desde então associado às tertúlias e encontros de artistas, actores e escritores. Ainda é possível encontar ali, junto à porta de entrada, uma placa que, em português escorreito, soa mais ou menos assim: "Aqui, Alfonso, vendedor e anarquista, vendeu tabaco e viu o mundo passar". Homenagem da casa.
A X sugeriu-me que entrassemos em grande estilo. Ajeitei o cachecol, empinei o charuto e mudámos as nossas vidas.
A X sugeriu-me que entrassemos em grande estilo. Ajeitei o cachecol, empinei o charuto e mudámos as nossas vidas.
Devias tentar a tropa
"- A coisa tá preta! Nada de trabalho e muito pouco dinheiro. Este Natal só visto. Como é que dá para casarmos?
- Devias tentar a tropa. O Zé disse que a malta que está a ir para fora está a tirar para cima de 600 contos!
- Sim, mas eu gosto de manter o casaco conservado. Não dá para tar a pôr o coiro em risco"
(conversa nos serviços centrais de registo civil de Lisboa)
- Devias tentar a tropa. O Zé disse que a malta que está a ir para fora está a tirar para cima de 600 contos!
- Sim, mas eu gosto de manter o casaco conservado. Não dá para tar a pôr o coiro em risco"
(conversa nos serviços centrais de registo civil de Lisboa)
domingo, 3 de janeiro de 2010
Delírios de Zapatero
A Presidência Espanhola da U.E. está aí. Com uma taxa de desemprego a rondar os 20% e com o Tratado de Lisboa a reduzir significamente a importância deste exercício, o PM socialista irá tentar tirar dividendos a nível interno. Não se compreende como é que terá condições para liderar o processo de consolidação da política fiscal da União, com a necessária redução do déficit, quando as finanças públicas do seu país se encontram num descalabro. Querer ficar para a história como o homem que liderou o velho continente na saída da crise parecerá uma anedota. Como alguém recordava, importará que tenha presente que a presidência de Gonzalez da U.E coincidiu com o fim do filipismo. Veremos como é que a Europa se dará com os delírios de grandeza de Zapatero. Ao que parece, "nuestros hermanos" já não o podem nem ver. Mas, lá como cá, as oposições continuam em permanente "delitro".
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
A transe do fim de Ano
Vivem o fim de ano como se fosse uma catarse de todas as desgraças que lhe bateram à porta em 2009: desemprego, doença, a mudança dos filhos do particular para o ensino público, hipoteca da casa, a venda do jipe (porque sustentar 2 carros sai caro!) etc. Neste processo terapêutico endividam-se e compram uma passagem de avião para um sítio paradísiaco. Ainda há margem de manobra para umas comprinhas em "rebajas" no Corte Inglês. Sim, não devem viajar como uns pelintras! Isso nunca! Estão perfeitamente convencidos que irão regressar diferentes e que 2010 lhes trará melhor fortuna. No aeroporto riem-se muito e preenchem um boletim completo do Euromilhões, com joker. Ela está convencida que vão receber as bençãos de Iemanjá. As crianças ficaram em casa da sogra. Bem entregues.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Adopção de crianças por casais homossexuais - a Engenharia Social está de volta
Já muita tinta rolou sobre a questão do casamento homossexual. Aliás, foi um dos temas abordados nas longas horas de permanência à mesa na noite de Natal. Alguns mostraram indiferença, outros acharam uma inevitabilidade da chamada "vaga de modernidade", outros deixaram transparecer uma concordância disfarçada. Estou convencido que o PR não pedirá sequer ao TC que se pronuncie sobre esta alteração legislativa, em nome do seu preverso sentido de equilibrio institucional. Cavaco ainda deve achar que ainda é cedo para se degladiar com o Governo e teme ser desagradável. Ao que parece, o homem anda obcecado com o déficit e não tem tempo para "minudências".
Será que alguém ainda se lembra do que o PR disse sobre "a família", na altura em que se discutia a questão da celeridade dos processos do divórcio?
Mas a questão central de todo este processo será a possibilidade de casais homossexuais poderem adoptar. A porta está aberta, e será dificil travar o processo. Tudo começa assim, com uma enorme generosidade por parte do legislador. Dentro de pouco tempo teremos sociólogos, pediatras e os habituais escrutionadores da "modernidade" a dizerem que as criancinhas precisam de amor, que não existe diferença entre ser educado por um casal heterossexual ou homossexual. Alguém se encarregará de nos mostrar a estória do António e do Zé a passearem com o seu filho no Jardim da Estrela. O petiz irá assegurar-nos que é uma vantagem enorme ter dois pais, que até o levam ao futebol, e que já tem uma namorada na escola.
Parece-me óbvio que só alguém muito ingénuo ou distraido é que não compreenderá que os tempos mudaram. Acabou-se, e ainda bem, a "Angustia para o jantar" e os casamentos `que sobreviviam para mera fachada social. Constato com muito agrado que as mulheres se afirmam casa vez mais em lugares cimeiros do mercado laboral e que já não têm que viver subjugadas aos maridos por razões de mera dependência económica. Um homossexual já não sofre as perseguições assassinas da "Age of extremes" (refiro-me, de modo parrticular, ao regime Nazi à Russia Soviética) e afirma-se, como qualquer um, no seu meio profissional. Naturalmente que existe discriminação, sobretudo no meio familiar, mas não será este o caminho para resolver o problema.
Mas voltando ao assunto. No meu circulo de relações, verifico que nenhum dos meus amigos homossexuais estará interessado em casar-se com o seu companheiro. Vivem de acordo com as suas opções e não se queixam de discriminação. Nenhum deles considera que o casamento, numa praia ou num lugar baladalado como o Lux, com a deida cobertura mediática, possa acrescentar alguma coisa à sua existência e opções. Abominam as "Love Parade", que mais não são do que formas de exibicionismo serôdio e não estão nem aí quanto à questão da adopção.
Enquanto os jornais nos vão dando a conhecer estórias de "happy couples" no México (Católico) e por essa Europa fora, temos que aturar todos os dias os deputados da Nação na AR, cheios de vocabulário feito e com a cartilha arrumadinha.
Mas o que eu gostaria de saber é o que é os Senhores do Ministério da Educação estarão a engendrar em matéria de educação sexual nas escolas. Vão mostrar um catálogo de vários modelos de "happy family" ao meu filho, como quem manuseia um catálogo de cortinas? Parece-me que a engenharia social está de volta.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Calças que picam
Naqueles tempos aperaltavamo-nos para ir visitar o menino Jesus. Era uma espécie de visita à maternidade. Achei sempre que Ele, a avaliar pelo tamanho da figura do presépio, já teria 6 ou 7 anos. O maior drama era ter que vestir aquelas calças cinzentas que picavam e me provocavam uma comichão interminável.
Tudo aquilo me parecia um disparate imenso, porque imaginava que o que o maior desejo do jovem Jesus deveria ser ir para o adro da Igreja dar uns toques de bola com os miúdos da minha idade. Devia estar completamente nas tintas para a minha gravata, sapatos e penteado.
O meu pai proibia os rapazes de usarem calças de pijama por debaixo das calças assassinas, mas era um bocadinho relaxado na fiscalização. Como é obvio, eu não queria crescer porque pensava que teria que passar por aquele tormento todos os dias, já não falando da gravata estranguladora.
O meu irmão mais velho, que já estava noutro campeonato de inteligência, disse-me a dada altura, já devidamente aperaltado, que tinha descoberto um segredo infalivel. "Basta tomar um copo de água com 3 colheres de açucar, e bebes tudo de um trago só! Mas demora um bocadinho de tempo a fazer efeito. Depende da idade da pessoa".
Lá fomos de carro para a missa e eu sempre irrequieto, como se tivesse um saco de pulgas dentro das calças. Chegados à Igreja e fazendo sinaléticas de um lado para o outro do banco corrido, levantou sorrateiramente as calças de ver a Deus e mostrou-me as calças de pijama azuis. Fiquei fulo e jurei a mim mesmo que nunca mais acreditaria naquele traidor do Miguel.
Lembro-me dos enjoos provocadas pelo incenso e das viúvas da Madragoa que me afagavam os caracóis e raspavam o seu bigode na minha cara em beijinhos lambuzados. "Bom Natal, meu rico menino".
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Cunha Rêgo
No Natal eu (e ao que parece a maior parte das pessoas) recordo familiares e amigos que partiram para comprar cigarros e não voltaram. Vêm-me ainda à memória alguns figuras que marcaram a minha forma de olhar para as coisas. É o caso de Victor Cunha Rego falecido há cerca de nove anos, com quem nunca privei.
VCR permanenceu vários anos no Brasil (S.Paulo) onde foi editor dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e do extinto Última Hora. Regressou a Portugal no 25 de Abril, foi militante da Resistência Republicana e Socialista e da Acção Socialista Portuguesa, tendo sido Chefe de Gabinete de Mário Soares no MNE. Exerceu funções na Embaixada de Portugal em Espanha e Já na década de 1980 e aproximou-se da AD. Manteve, como é sabido, uma presença assídua na imprensa portuguesa.
Mais do que a sua vida política frenética, senti-me interpelado pelas suas ultimas crónicas. Sabia que tinha uma sombra que o seguia para todo o lado. Estando-se completemante nas tintas para o julgamento do políticamente correcto, deixava transparecer, nos seus ultimos dias, todas suas inquietações e meditações. Penso que são estes gestos que revelam o carácter dos homens de excepção. Por vezes ainda folheio as compilações póstumas de algumas das suas crónicas.
Afinal de contas, em que creêm os não crentes?
VCR permanenceu vários anos no Brasil (S.Paulo) onde foi editor dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e do extinto Última Hora. Regressou a Portugal no 25 de Abril, foi militante da Resistência Republicana e Socialista e da Acção Socialista Portuguesa, tendo sido Chefe de Gabinete de Mário Soares no MNE. Exerceu funções na Embaixada de Portugal em Espanha e Já na década de 1980 e aproximou-se da AD. Manteve, como é sabido, uma presença assídua na imprensa portuguesa.
Mais do que a sua vida política frenética, senti-me interpelado pelas suas ultimas crónicas. Sabia que tinha uma sombra que o seguia para todo o lado. Estando-se completemante nas tintas para o julgamento do políticamente correcto, deixava transparecer, nos seus ultimos dias, todas suas inquietações e meditações. Penso que são estes gestos que revelam o carácter dos homens de excepção. Por vezes ainda folheio as compilações póstumas de algumas das suas crónicas.
Afinal de contas, em que creêm os não crentes?
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Mensagens de Natal II
Mais uma pérola
"Exma(o)s e Prezada(o)s Colegas,
Excepcionalmente, recorri a este celere expediente para veicular um singelo , mas sincero, desejo d'um Santo e Feliz Natal, em que partilha e confraternização possam ser "lembranças" presentes ainda que não embrulhadas, e os bons momentos possam transbordar de elementos de fraterna consistência e reconfortante retorno.
Que este tempo de substantiva espiritualidade que celebra um nascimento, se replique em esperançosas e prospectivas novas, que a todos toque em elementares formas de relacional harmonia, bem como sucessos e realizações, também, profissionais.
Boas Festas e Feliz Ano Novo."
"Exma(o)s e Prezada(o)s Colegas,
Excepcionalmente, recorri a este celere expediente para veicular um singelo , mas sincero, desejo d'um Santo e Feliz Natal, em que partilha e confraternização possam ser "lembranças" presentes ainda que não embrulhadas, e os bons momentos possam transbordar de elementos de fraterna consistência e reconfortante retorno.
Que este tempo de substantiva espiritualidade que celebra um nascimento, se replique em esperançosas e prospectivas novas, que a todos toque em elementares formas de relacional harmonia, bem como sucessos e realizações, também, profissionais.
Boas Festas e Feliz Ano Novo."
Mensagens de Natal
Uma enigmática mensagem de Natal que apareceu hoje na minha caixa de correio. Creio que segue um futuro acordo ortográfico e gramatical.
"Diz a
tradição que nesta altura devemos de alguma maneira estar
presentes, de alguma mesma maneira desejar os nossos
melhores desejos para os dias de festas que nos esperam....e
penso que dirá a tradição muito mais palavras que estas
minhas.
No entanto, a tradição, já é muito pouco o que era,
assim como a presença já é vista com muito mais
perspectivas e os desejos se modificam conforme as pessoas e
as experiências de cada um.
Assim, e tendo em conta todas as condicionantes deste
nosso, novo mundo, ou diria simplesmente, mundo diferente,
hoje vos escrevo para uma vez mais viajarmos...quem sabe
hoje a mundos diferentes de viagens interessantes,
conquistadoras...hoje e neste momento a viagem é mais
nas festas que nos esperam, nos momentos e sonhos que esta
altura do ano, nos
faz relembrar.
Pensar que o final de um ano é e sempre será a reflexão
do antes, às vezes de uma passado não muito distante do
dia de hoje, mas que mesmo assim nos faz parar, não olhar
ao relógio, e pensar...e logo passarmos ao novo ano, aquele
que começa, aquele que chega cheio de esperança e novos
sonhos. Deixando sempre presente as conquistas que estão em
frente a nós mesmos, enchendo-nos de força para
alcança-las!!
Esta é hoje, na pouca tradição, ou quizá na tradição
hoje um pouco diferente a minha maneira de estar presente,
aquela maneira possível de também eu parar e reflectir
para logo voltar a sonhar.
Assim, a todo vocês, que estão presentes comigo e a meu
lado, desejo tudo isto...que busquem vocês as tradições
que mais se assemelham aquilo que hoje são, que se
encontrem nas vossas reflexões, não com tristezas e
nostalgias, mas com aquela vontade de seguir sempre
caminhando, e que logo tudo isso vos
deixe
continuar a sonhar, a conquistar....sobretudo o que
desejo, é que na vossa condição daquilo que são e se
identificam, sejam Felizes, muito felizes...creio na
felicidade contagiante, e creio que isso afinal, hoje é o
que todos necessitamos.
Sejam pois então, Felizes!!! E que tenham o Feliz Natal e
o Próspero Ano novo...como manda a tradição.
Bjs grandes e espero ver todos ou alguns muito em
breve.
"Diz a
tradição que nesta altura devemos de alguma maneira estar
presentes, de alguma mesma maneira desejar os nossos
melhores desejos para os dias de festas que nos esperam....e
penso que dirá a tradição muito mais palavras que estas
minhas.
No entanto, a tradição, já é muito pouco o que era,
assim como a presença já é vista com muito mais
perspectivas e os desejos se modificam conforme as pessoas e
as experiências de cada um.
Assim, e tendo em conta todas as condicionantes deste
nosso, novo mundo, ou diria simplesmente, mundo diferente,
hoje vos escrevo para uma vez mais viajarmos...quem sabe
hoje a mundos diferentes de viagens interessantes,
conquistadoras...hoje e neste momento a viagem é mais
nas festas que nos esperam, nos momentos e sonhos que esta
altura do ano, nos
faz relembrar.
Pensar que o final de um ano é e sempre será a reflexão
do antes, às vezes de uma passado não muito distante do
dia de hoje, mas que mesmo assim nos faz parar, não olhar
ao relógio, e pensar...e logo passarmos ao novo ano, aquele
que começa, aquele que chega cheio de esperança e novos
sonhos. Deixando sempre presente as conquistas que estão em
frente a nós mesmos, enchendo-nos de força para
alcança-las!!
Esta é hoje, na pouca tradição, ou quizá na tradição
hoje um pouco diferente a minha maneira de estar presente,
aquela maneira possível de também eu parar e reflectir
para logo voltar a sonhar.
Assim, a todo vocês, que estão presentes comigo e a meu
lado, desejo tudo isto...que busquem vocês as tradições
que mais se assemelham aquilo que hoje são, que se
encontrem nas vossas reflexões, não com tristezas e
nostalgias, mas com aquela vontade de seguir sempre
caminhando, e que logo tudo isso vos
deixe
continuar a sonhar, a conquistar....sobretudo o que
desejo, é que na vossa condição daquilo que são e se
identificam, sejam Felizes, muito felizes...creio na
felicidade contagiante, e creio que isso afinal, hoje é o
que todos necessitamos.
Sejam pois então, Felizes!!! E que tenham o Feliz Natal e
o Próspero Ano novo...como manda a tradição.
Bjs grandes e espero ver todos ou alguns muito em
breve.
Aeroporto de Lisboa
Conforme previamente acordado, o despertador toca às 5 da manhã. Apenas tenho tempo para lavar os dentes, domesticar os cabelos mais agitados e disfarçar o meu pijama com um casaco comprido. Deixo-te no aeroporto, naquele local que diz "proibido parar ou estacionar, excepto para largada de passageiros". O beijo de despedida no estilo de Casablanca é interrompido por um polícia excitado com a sua missão. Vejo que tenho as calças de pijama a aparecer por debaixo do casaco e entrego-te ... as malas. Tempo de voltar para casa, esperando que o carro não se afogue na 2ª circular.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Solidão de uma mulher divorciada
"Aos fins-de-semana deixo a minha filha Leonor em casa dos meus pais e vou para casa do Bruno, meu namorado de Liceu. Também está divorciado, mas não tem filhos. Passeamos e jantamos fora. Damo-nos bem e isso é suficiente. Por uns momentos esqueço-me da sombra que me persegue."
"Não consigo ficar sozinha em casa. Compreendes-me? Sim continuo na psiquiatra. Vou à consulta duas vezes por mês. É muito bom. Sento-me no chão em cima de almofadas de cor e o tempo parece que voa. Continuo a tomar os antidepressivos, mas no outro dia fui a uma reunião a Roma e senti-me muito em baixo. O mundo desabou-me em cima. Passei horas fechada na casa-de-banho a chorar. Foi a primeira vez que voltei a Itália. Mas agora estou bem, muito bem mesmo!"
"Não consigo ficar sozinha em casa. Compreendes-me? Sim continuo na psiquiatra. Vou à consulta duas vezes por mês. É muito bom. Sento-me no chão em cima de almofadas de cor e o tempo parece que voa. Continuo a tomar os antidepressivos, mas no outro dia fui a uma reunião a Roma e senti-me muito em baixo. O mundo desabou-me em cima. Passei horas fechada na casa-de-banho a chorar. Foi a primeira vez que voltei a Itália. Mas agora estou bem, muito bem mesmo!"
A retalho
Fizeram-me a cama, perguntando-me tudo o que vinha em notas de rodapé. Que enorme desperdício de tempo passar o fds a preparar-me para um trabalho burocrático. Ao que parece, o fato fica melhor a outro.
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